Quarta-feira, Abril 08, 2009

Fechar os Olhos

Vamos lá às frases batidas: há momentos na vida em que as coisas deixam de fazer sentido. isto faz sentido? Não sei. Sei que os "Olhos de Alma" já não fazem sentido. A minha vida mudou, eu mudei, os olhos da minha alma vêem de forma diferente.
Quem não muda são os amigos. Esses podem encontrar-me sempre porque sabem exactamente onde estou. De resto, quem quiser saber o que estou a fazer agora pode visitar-me AQUI, no blog que criei para mostrar o meu trabalho.

Terça-feira, Novembro 11, 2008

Quem chegou?


Nem sei quantos meses (anos?) passaram depois que decidi voltar. Decidi e proclamei. Mas pronto, não voltei. Andei, felizmente, atarefado com assuntos transcendentes. Do mais visível desses assuntos deixo aos meus amigos uma imagem que já tem 2 meses. É uma das primeiras fotos da minha Carlota, a minha filha mais nova que a Joaninha fez o favor de transportar e alimentar durante nove meses e a quem agora faz tudo para a tornar a menina mais feliz do mundo. E ela é. Ri-se para nós do alto da inocência dos seus dois meses. E cresce. Cresce todos os dias que até me assusta. Daqui a nada está uma mulherzinha.

Quarta-feira, Março 14, 2007

VOLTEI!

Já lá vão quase quatro meses desde a última vez que visitei esta minha casa. Este bloco de notas onde larguei algumas sensações e emoções dos últimos dois anos. Quatro meses sem passar por aqui. Mas não estive parado. Apenas não vim cá. Como se faz com os lugares que amamos mas que sabemos estarem ali, à nossa espera, e que são nossos sempre que os quisermos usufruir. Também não estive parado. Estive a tomar pulso às rédeas da minha vida. A fazer mudanças vitais. Mudei tudo. Geográfica e emocionalmente. Estou numa casa nova. A minha alma tem nova morada.
Só aqui se mantém tudo na mesma. Inalterável como as casas dos nossos avós se mantinham. Inalterável como os lugares que amamos e onde regressamos de quando em vez. Porque estão sempre à nossa espera e vivem de nós.
Voltei!

Segunda-feira, Novembro 27, 2006

Morreu Mário Cesariny

Morreu o Mário Cesariny... Portugal devia estar de luto... Eu sinto-me mais pobre hoje. Leiam-lhe as palavras e não o esqueçam.


Faz-me o favor...

Faz-me o favor de não dizer absolutamente nada!
Supor o que dirá
Tua boca velada
É ouvir-te já.

É ouvir-te melhor
Do que o dirias.
O que és nao vem à flor
Das caras e dos dias.

Tu és melhor -- muito melhor!
Do que tu. Não digas nada. Sê
Alma do corpo nu
Que do espelho se vê.

Quarta-feira, Novembro 22, 2006

Poesia erótica

O Joaquim Pessoa vai lançar por estes dias um livro de poesia erótica. Tive o privilégio de assistir, há meses, a uma leitura privada desses poemas. E de me deparar com o facto de muitos poetas terem escrito, ao longo da sua vida e obra, poemas eróticos que em muitos casos ficaram no esquecimento. Desde aí que tenho pesquisado poesia erótica. E tenho descoberto poemas magníficos que ando a guardar. Jorge de Sena é um dos poetas que me surpreendeu. Fiquem com a rara beleza e erotismo das suas palavras neste "Conheço O Sal..."
Conheço o sal da tua pele seca
depois que o estio se volveu inverno
da carne repousada em suor nocturno.
Conheço o sal do leite que bebemos
quando das bocas se estreitavam lábios
e o coração no sexo palpitava.
Conheço o sal dos teus cabelos negros
ou louros ou cinzentos que se enrolam
neste dormir de brilhos azulados.
Conheço o sal que resta em minhas mãos
como nas praias o perfume fica
quando a maré desceu e se retrai.
Conheço o sal da tua boca, o sal
da tua língua, o sal de teus mamilos,
e o da cintura se encurvando de ancas.
A todo o sal conheço que é só teu,
ou é de mim em ti, ou é de ti em mim,
um cristalino pó de amantes enlaçados.

Sexta-feira, Novembro 17, 2006

Trabalhadores descontentes...

Texto de reinvidicação laboral
Eu, o pénis, venho por este meio exigir um aumento de salário, apresentando
as seguintes razões:

1 Faço esforços físicos.
2 Trabalho a grandes profundidades.
3 A cabeça é a primeira coisa que uso em tudo o que faço.
4 Não gozo fins-de-semana nem feriados.
5 Trabalho num ambiente húmido.
6 Trabalho num local com iluminação e ventilação deficientes.
7 Trabalho com temperaturas elevadas.

Resposta da entidade patronal
Caro Pénis, após a análise do seu pedido, e levando em consideração os argumentos por si apresentados, a administração rejeita o seu pedido pelas seguintes razões:

1 O senhor não trabalha 8 horas seguidas.
2 Adormece após breves períodos de trabalho.
3 Nem sempre segue as ordens da equipa de gestão.
4 Não permanece na sua área de serviço e é visto muitas vezes em visita
a outras localidades.
5 O senhor não toma a iniciativa - necessita de ser pressionado e estimulado
para começar a trabalhar.
6 O seu local de trabalho fica bastante sujo após o seu turno de trabalho.
7 Nem sempre obedece às normas de segurança necessárias, como a utilização
de roupa de protecção.
8 Irá reformar-se antes dos 65 anos.
9 É incapaz de fazer turnos duplos.
10 Por vezes, abandona a sua área de trabalho antes de ter Completado as tarefas que lhe foram atribuídas.
11 E como se tudo isto não bastasse, o senhor tem sido constantemente visto a entrar e a sair do seu local de trabalho carregando dois sacos de aparência suspeita.

Segunda-feira, Novembro 13, 2006

Fazer amor

É tão bom quando os poetas dizem aquilo que queremos dizer. O que pensamos e sentimos. Até o que fazemos. Se calhar é mesmo para isso que servem os poetas. Leiam esta pérola escrita por Carlos Drummond de Andrade. O poema chama-se "Não vou pôr-te flores de laranjeira no cabelo" e fala de um amor intenso. Fala de fazer amor... e faz. Faz amor com as palavras de forma magistral.


Não vou pôr-te flores de laranjeira no cabelo
nem fazer explodir a madrugada nos teus olhos.

Eu quero apenas amar-te lentamente
como se todo o tempo fosse nosso
como se todo o tempo fosse pouco
como se nem sequer houvesse tempo.

Soltar os teus seios.
Despir as tuas ancas.
Apunhalar de amor o teu ventre